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Era Uma Vez em Goa


Era Uma Vez em Goa



Paulo Varela Gomes




Sinopse
Estamos em 1963, dois anos volvidos sobre a expulsão dos portugueses da Índia. Os territórios de Goa, Damão e Diu encontram-se sob o domínio ainda ambíguo do governo indiano, mas, nas ruas, o concacim e o inglês convivem a toda a hora com um sub-reptício português, os letreiros das lojas ainda mal apagados, a religião ecléctica com as marcas de Cristo, os edifícios e a cultura no limbo de um colonialismo defunto.
Graham é um cidadão britânico que chega a Goa com escassos recursos e por meios pouco ortodoxos, antecipando-se às ondas hippies que encontrarão na Índia o reduto místico por excelência. Sistematicamente confundido com um perigoso infiltrado português, Graham terá de sofrer rocambolescos encontros, desencontros e aventuras até vislumbrar os sentidos possíveis da complexa cultura goesa. De caminho, cruza-se com personagens de origens contrastantes, desde o inusitado «hoteleiro» da praia de Anjuna até ao grande escritor e outrora espião britânico, o seu homónimo Graham Greene.
Excerto
«Houve uns poucos de anos em que
a minha vida foi invulgar. No dia
28 de Outubro de 1963, mais ou
menos no princípio
desse período,
cheguei à fronteira norte do território
de Goa e depois de passar pela
habitual confusão atabalhoada com
passaporte e visto comecei a ver as
coisas
complicarem-se porque havia
soldados e metralhadoras por todos
os lados. Pensei em revoluções,
em guerras civis e no facto de que
alguém podia ter feito o favor de me
avisar disso em Bombay, onde tinha
apanhado o autocarro para Goa. […]
É disto que eu me vou recordar melhor
em Goa: a voz em concanim a contar
histórias estranhas, o uivo dos cães
selvagens a descer dos montes, a
luz dourada do poente no arrozal, o
sentimento de profunda paz campestre.
A industrialização acabará por chegar.
Abriu um departamento
do turismo
em Pangim e há grandes praias à espera de grandes hotéis enquanto
mesmo do outro lado das montanhas
reina a enorme pobreza do
subcontinente, pronta para se espalhar
por toda a costa logo que as barreiras
sejam levantadas.
Portugal ajudou a formar o carácter
especial de Goa e este pode sobreviver
a Portugal durante um ano ou dois.
Mas não é possível pendurar um
crânio na entrada de Goa para afastar
o mau-olhado. Não admira que até nas
grandes
casas da Goa jesuíta tenhamos
uma sensação de impermanência.
Há pó
sobre a mobília, nos melhores quartos
empilham-se malas no chão com um
pequeno saco de viagem
em cima. É
como se a família não tivesse tido tempo
de desfazer as malas e já se aproximasse a
hora de partir.»

Era Uma Vez em Goa

de Paulo Varela Gomes